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Diálogos sem Palavras, o grito silencioso da comunidade surda!


by: Valter Israel da Silva

30/09/20224

O número de pessoas surdas no Brasil ultrapassa os dez milhões, de acordo com dados do IBGE. Embora a Lei de Libras (Língua Brasileira de Sinais) tenha sido implementada, essas pessoas ainda enfrentam inúmeras dificuldades para acessar serviços básicos oferecidos por empresas, órgãos e entidades. A acessibilidade e a inclusão, apesar de alguns avanços, ainda não são plenamente garantidas.

A comunidade surda enfrenta desafios diários: a escassez de intérpretes de Libras em serviços essenciais, a falta de adaptação educacional adequada e a exclusão no mercado de trabalho são algumas das barreiras mais significativas. Além disso, a sociedade, em muitos casos, desconhece ou subestima as capacidades das pessoas surdas, reforçando estigmas e preconceitos que perpetuam a marginalização.

No Brasil, a Lei de Libras (Lei nº 10.436/2002) foi um marco importante, reconhecendo oficialmente a Língua Brasileira de Sinais como meio de comunicação legal da comunidade surda. No entanto, sua implementação prática e as políticas públicas inclusivas ainda estão aquém do necessário. A comunidade surda enfrenta limitações graves de acessibilidade, preconceitos e exclusão social, agravados por uma situação de invisibilidade e inação por parte do Estado e dos governos.

Recentemente, participei de uma reunião com a Associação dos Surdos de Pinhão e fiquei profundamente impactado com o que presenciei. A comunicação só foi possível graças à presença de uma intérprete de Libras, o que me levou a refletir: por que eu não sei Libras? Por que não aprendemos Libras na escola? Por que servidores públicos, que atendem diretamente a população, não têm formação em Libras?

Durante o encontro, ouvi relatos comoventes. Crianças incapazes de frequentar a escola devido à falta de intérpretes de Libras; mulheres com dificuldade em realizar acompanhamento pré-natal porque não conseguem se comunicar com os médicos; e o caso mais tocante, de um pai surdo e cego, separado da família, que não consegue conversar com sua filha, já que ela e a mãe são ouvintes, e a menina não sabe Libras. Um jovem surdo desabafou sobre o isolamento imposto pela sociedade: ele deseja jogar futebol, mas não encontra companhia. Esses depoimentos revelam uma realidade de exclusão e esquecimento em que os surdos vivem, devido à ausência de políticas públicas efetivas.

O Brasil enfrenta uma necessidade urgente de implementar uma educação bilíngue que ensine tanto o português quanto a Libras. Os serviços públicos precisam garantir acessibilidade, seja por meio de intérpretes de Libras, seja com a capacitação de servidores para que compreendam essa linguagem. O mercado de trabalho, por sua vez, deve encontrar formas de incluir a comunidade surda, que, assim como todos nós, precisa de oportunidades e meios para garantir sua subsistência e dignidade.

A comunidade surda emite um “grito silencioso” que exige ser ouvido. Precisamos nos educar, ouvir essas vozes e agir para transformar nossa sociedade, tornando-a verdadeiramente inclusiva e acolhedora para todos.

 
 
 

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