Sete de Setembro: Um Desfile que Perde o Significado de Liberdade?
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- 5 de set. de 2024
- 2 min de leitura

BY: Fabricio Barbosa – 30/08/2024
O 7 de setembro, dia que marca a independência do Brasil, deveria ser uma celebração dos ideais de liberdade e autonomia nacional. No entanto, o que vemos nas ruas e escolas em muitas cidades do país parece distorcer esse simbolismo. Os desfiles que ocorrem nesta data carregam um peso histórico que remete diretamente à herança militarista do Brasil, e, ironicamente, muitos jovens são obrigados a participar de uma cerimônia que exalta exatamente aquilo que contraria o sentido profundo de liberdade: a subordinação e a ordem hierárquica, características dos regimes militares.
A prática de fazer as escolas participarem ativamente desses desfiles, impondo a obrigação de presença aos estudantes, suscita questionamentos importantes. É realmente necessário que crianças e adolescentes sejam inseridos em um contexto com características militares, onde a obediência cega e a uniformidade são celebradas? O desfile, que deveria ser uma demonstração de orgulho pela independência, muitas vezes se torna uma exibição de controle e de doutrinação sutil.
Essa tradição, herdada dos tempos em que o Brasil vivia sob regimes autoritários, parece estar cada vez mais deslocada da realidade atual. Em vez de promover o questionamento e o pensamento crítico, esses eventos moldam os estudantes para que aceitem o status quo e celebrem símbolos que muitas vezes não representam os valores de democracia e liberdade pelos quais nossa independência deveria lutar.
O que deveria ser uma festa de liberdade, diversidade e reflexão sobre a nossa história, acaba por reforçar a ideia de que a nação se fortalece pela ordem rígida, ao invés da pluralidade e do diálogo. A estética militar dos desfiles, com marchas sincronizadas, bandeiras e fardas, nos faz lembrar que ainda carregamos os resquícios de uma cultura militarista que permeou nossa política por décadas. Isso se reflete no fato de que o espaço escolar – onde deveria prevalecer o debate e a formação de cidadãos conscientes – é usado para impor uma visão única de "patriotismo", muitas vezes desvinculada das verdadeiras questões que envolvem a independência e soberania popular.
Além disso, é preciso perguntar: o que os estudantes ganham com essa participação obrigatória? Será que o desfile instiga neles o real sentido de independência e cidadania, ou apenas perpetua uma prática que há muito já perdeu seu propósito no contexto moderno? Mais que uma homenagem à pátria, parece uma reencenação de uma subserviência histórica que, ironicamente, contrasta com o próprio significado de independência.
É urgente repensarmos o sentido dessas comemorações. Talvez o 7 de setembro devesse ser um dia para promover debates, incentivar a reflexão crítica sobre a nossa história e os rumos da nossa nação, em vez de perpetuar um ritual que, na prática, parece muito mais voltado para a manutenção de tradições militares do que para a celebração da liberdade que tanto proclamamos.








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