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O Brilho que Cega: Onde se Esconde o Natal?


By: Fabrício Barbosa

data 19/12/2025


Dezembro chega e, com ele, uma metamorfose visual toma conta das nossas cidades. As vitrines ganham camadas de neve artificial, as fachadas se curvam sob o peso de quilômetros de pisca-piscas e o vermelho e dourado passam a ditar a estética do cotidiano. É inegável: a montagem do "palco" natalino é grandiosa. Mas, entre um enfeite caro e uma árvore monumental, cabe uma pergunta ácida e necessária: estamos celebrando um nascimento ou apenas decorando um cenário?

Vivemos o auge da cultura da aparência. Gastam-se fortunas em adornos que duram trinta dias, enquanto a busca pelo "presente perfeito" muitas vezes gera mais ansiedade e dívidas do que alegria. As cidades se enfeitam para o consumo, criando uma euforia estética que, embora bonita aos olhos, costuma ser rasa para a alma. O brilho excessivo das lâmpadas externas, por vezes, serve apenas para camuflar o vazio — ou a falta de luz — do lado de dentro.

Se voltarmos ao centro da história que originou tudo isso, encontraremos o oposto do luxo. O nascimento de Cristo não teve luzes de neon, mas sim a luz de uma estrela para quem sabia olhar. Não houve banquetes caros, mas o calor de uma estrebaria. O ensinamento de Jesus é, em sua essência, um convite à despojada humildade.

O "Espírito Natalino" não é um produto que se compra na prateleira de uma loja de decorações. Ele se manifesta na caridade silenciosa, aquela que não busca likes ou reconhecimento. O verdadeiro Natal acontece quando:

  • O olhar se volta para o próximo que nada tem.

  • O perdão substitui o rancor acumulado durante o ano.

  • A presença vale mais do que o pacote de presente.

Não se trata de condenar as luzes ou a festa — celebrar é humano e divino. O convite aqui é para o equilíbrio. Que a beleza da cidade enfeitada não nos distraia da feiura da desigualdade que ainda nos cerca. Que o dinheiro gasto na aparência não nos falte para a mão estendida.

Neste Natal, que estas relfexões nos inspirem a temperar a vida com mais verdade. Que a gente consiga enxergar através do plástico das árvores artificiais para reencontrar a manjedoura: simples, pobre, mas transbordando o amor que realmente transforma o mundo.

“Menos vitrine, mais coração.”
 

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