A Teoria da Fagulha: Por Que Algumas Iniciativas Pegam Fogo e Outras se Apagam?
- Fabrício Barbosa

- 12 de nov.
- 3 min de leitura

Por Fabrício Barbosa
Data: 11/11/2025
Hoje, gostaria de tecer algumas reflexões sobre uma teoria que, por ser constituída por mim, talvez não seja tão conhecida assim. Ela se refere à capacidade de desenvolvimento econômico e social de uma localidade e está profundamente relacionada ao empreendedorismo local. A base dessa ideia se assemelha à famosa "Teoria das Janelas Quebradas" (introduzida por James Q. Wilson e George L. Kelling em 1982), que defende que pequenos sinais de desordem ou negligência — como uma janela quebrada não reparada — tendem a escalar para problemas maiores, pois comunicam uma falta de cuidado e impunidade. Transportando essa lógica para o desenvolvimento: o que acontece quando uma pequena iniciativa promissora é negligenciada, ou quando ela recebe o estímulo certo? Chamo a minha interpretação disso de A Teoria da Fagulha: o desenvolvimento e as iniciativas empreendedoras são como uma fagulha que pode ser apagada com água (o negligenciamento, a burocracia) ou incentivada com gasolina (o suporte, a governança).
O Território Como Palco do Desenvolvimento
Pense no desenvolvimento territorial – a forma como municípios e regiões crescem e prosperam – não como um evento grandioso e planejado "de cima para baixo", mas sim como uma série de pequenas reações em cadeia.
A essência da minha teoria é esta: o desenvolvimento e as iniciativas empreendedoras são como uma fagulha que pode ser apagada com água ou incentivada com gasolina.
Esta metáfora simples nos ajuda a entender por que algumas ideias brilhantes ou projetos promissores florescem em um local, enquanto iniciativas semelhantes murcham em outro, mesmo que ambos tenham potencial.
1. A Fagulha: O Potencial Inicial

A fagulha é o ponto de partida, a manifestação de um potencial latente. No contexto do desenvolvimento, a fagulha é:
Capacidade Cognitiva Local: É o motor intelectual do território. Refere-se à presença de conhecimento, habilidades e competências que permitem aos atores locais identificar problemas e criar soluções inovadoras. Inclui a capacidade de aprender, se adaptar e gerar novas ideias (o "saber fazer" e o "saber pensar" da comunidade).
A Iniciativa Empreendedora: A coragem de um indivíduo abrir um negócio, o surgimento de um novo produto que atende a uma demanda local, ou uma startup que traz inovação.
O Recurso Único: Uma vocação turística, um produto agrícola de qualidade superior (uma qualidade de café especial, por exemplo), ou um forte capital social (pessoas que confiam e trabalham juntas).
A fagulha é essencialmente frágil. Ela existe, mas precisa de condições para se transformar em algo maior.
2. O Combustível (A Gasolina): Acelerando o Crescimento

Se o objetivo é transformar a fagulha em um incêndio que aquece toda a economia local, precisamos do combustível. A "gasolina" é tudo aquilo que nutre e fortalece as iniciativas locais, dando-lhes a chance de crescer e se replicar:
Política de Apoio: Acesso a microcrédito, programas de incubação ou leis que facilitam a abertura de empresas (desburocratização), premiação para ideias inovadoras, eventos de conteúdo que incentive as iniciativas de criar, inovar e idealizar novos meios de organicidade e fomento.
Articulação e Parceria: Um ambiente de Governança onde a prefeitura, a associação comercial, a universidade e a sociedade civil trabalham lado a lado, compartilhando uma visão de futuro.
Infraestrutura e Conhecimento: Internet de qualidade, estradas, centros de treinamento e acesso a informações e principalmente a tecnologias.
Em resumo, a "gasolina" é o ambiente que transforma o risco do empreendedorismo em uma aposta mais segura para o desenvolvimento.
3. O Inibidor (A Água): Apagando o Potencial

Infelizmente, muitos territórios despejam água sobre suas próprias fagulhas, extinguindo iniciativas antes que elas sequer comecem a brilhar. A "água" que mata o desenvolvimento pode ser:
Burocracia Asfixiante: Processos longos e complexos para licenciamento ou obtenção de alvarás, que desanimam o pequeno empreendedor.
Conflitos e Desconfiança: Rivalidades políticas ou a falta de confiança entre empresários e o poder público, o que impede a ação coletiva.
Falta de Reconhecimento: A ausência de políticas públicas que reconheçam e valorizem o empreendedorismo local, preferindo, talvez, depender apenas de atrair grandes empresas de fora.
A reflexão central é: Não basta ter a fagulha (o potencial ou a ideia). O que define o futuro de um território é a resposta do seu ecossistema a essa fagulha.
Para Onde Olhar Agora?

A Teoria da Fagulha nos convida, como cidadãos e como líderes, a fazer uma auto avaliação crítica do nosso território. Estamos jogando gasolina ou água nas iniciativas que surgem em nossa comunidade?
O desenvolvimento endógeno, aquele que vem de dentro para fora, depende de identificarmos e protegermos nossas próprias fagulhas. E, mais importante, de criarmos intencionalmente um ambiente de combustível para que elas se transformem em um fogo sustentável de prosperidade.









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